quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Morre lentamente - Pablo Neruda



Morre lentamente quem não viaja,quem não lê ,quem não ouve musica,quem não encontra graça em si mesmo.


Morre lentamente quem destroi o seu amor proprio ,quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto,quem não muda de marca , não se arrisca a vestir uma nova cor , ou não conversa com quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televião o seu guru.


Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco,e os pontos sobre os iss em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.


Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho , quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.


Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incedssanteMorre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo , não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não respondem quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.


SOMENTE A PERSEVERANÇA FARÁ COM QUE CONQUISTEMOS UM ESTÁGIO ESPLENDIDO DE FELICIDADE.


Pablo Neruda

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Iansã e o vento



O vento bateu na saia de Iansã

O vento bateu pra iansã rodar

Iemanjá - A Rainha do Mar







África
Na Mitologia Yoruba, a dona do mar é Olokun que é mãe de Yemojá, ambas de origem Egbá.
Yemojá, que é saudada como Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun, Orixá do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em Ifé)), muitas vezes é referida como sendo a rainha do mar em outros países. Cultuada no rio Ògùn em Abeokuta

[editar] História
Pierre Verger no livro Dieux D'Afrique[1] registrou: "Iemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. Com as guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros."

[editar] Brasil

Yemanja - escultura de Carybé em madeira (Museu Afro-Brasileiro, Salvador (Bahia), Brasil.
No Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiras, e até por membros de religiões distintas.
Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de Fevereiro, uma das maiores festas do país em homenagem à "Rainha do Mar". A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.
Outra festa importante dedicada a Iemanjá ocorre durante a passagem de ano no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a dividade. A celebração também inclui o tradicional "Banho de pipoca" e as sete ondas que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à Orixá.
Na Umbanda, é considerada a divindade do mar, além de ser a deusa padroeira dos náufragos.

Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta

Jorge Amado
Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de "sincretismo" encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadimissíveis tais "manifestações pagãs" em suas propriedades[2]. Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a "Janaína do Mar" e como canções litúrgicas.

[editar] Qualidades
Yemowô - que na África é mulher de Oxalá,
Iyamassê - é a mãe de Sàngó,
Yewa - rio africano paralelo ao rio Ògún e que frequentemente é confundido em algumas lendas com Yemanjá,
Olossa - lagoa africana na qual desaguam os rios Yewa e Ògún,
Iemanjá Ogunté - que casa com Ògún Alagbedé,
Iemanjá Asèssu - muito voluntariosa e respeitável,
Iemanjá Saba ou Assabá - ela é manca e está sempre fiando algodão é a mais jovem.
Dia: sábado
Data: 2 de fevereiro;
Metal: prata e prateados;
Cor: prata transparente ou verde água;
Comida: manjar branco, acaça, peixe de água salgada, bolo de arroz;
Arquétipo: voluntarioso, fortes, rigorosos, protetores, altivos, algumas vezes, impetuosos e arrogantes.
Símbolos: abebé prateado

[editar] Sincretismo

Oferenda para Iemanjá.
Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem[3][4]. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá[5] tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial.
Em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas, que em 2008 chegou à 77ª edição. As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas[6].
No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira mar baiana: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar - também conhecida como Janaína
Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado e curiosos para assistir ao desfile dos orixás e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes. Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao local.

domingo, 30 de novembro de 2008

A Lenda De Uma Cigana - Composição: Desconhecido


A lenda de uma cigana



Adormecida ao relento


Que perdeu a caravana


Por seguir o pensamento


Tem dias que anda pairando


Nos rumos do mundo


Tem dias que anda rolando


Nas presas do tempo


Diz a lenda que a cigana


Pelo caminho onde viera


O xale tinha perdido


E um vagabundo o trouxera


Sacudindo o pó e as mágoas


Como se a cor acordasse


Num abraço dançou com ela


Antes que o vento a roubasse


Só o vento nos roda a saia


Só o vento nos faz dançar


Nos confunde os passos na areia


Muda o rumo às águas do mar


No silêncio mal se ouviam


Dançar descalços na areia


Numa noite quase fria


Estava a lua quase cheia


E pra rasgarem o escuro


Ou fugir à solidão


Ataram corpos cansados


Na sombra vaga do chão


Quando o sol entorna o dia


Ficara o xale esquecido


E os passos da cigana


Já o vento tinha escondido


Ficou só o vagabundo


Resgatando uma ilusão


Com a alma amordaçada


Na palma da mão


Só o vento nos roda a saia


Só o vento nos faz dançar


Nos confunde os passos na areia


Muda o rumo às águas do mar.




Ela é uma Cigana


Rosa Vermelha ela é


Ela vem caminhando


Ela chega girando na ponta do pé!

domingo, 26 de outubro de 2008

Provérbios Populares

“Não se põe remendo velho em pano novo.”
“Antes asno que me carregue que cavalo que me derrube.”
“Abre-se um olho para vender e dois para comprar.”
“A ociosidade e mãe de todos os vícios.”
“Amigo de todos, amigo de ninguém.”
“A amizade é como porcelana; pode-se emendar mas sempre fica a marca.”
“Os dedos foram feitos para comer.”
“Um tolo e seu dinheiro logo se separam.”
“Não conte com os ovos dentro da barriga da galinha.”
“Quem se faz de ovelha o lobo come.”
“É melhor perder a sela do que o cavalo.”
“A confiança e planta de crescimento lento.”
“Se vale ser enforcado por um carneiro, vale ser enforcado por um cordeiro.”
“Um gato acuado pode se tornar tão feroz quanto um leão.”
“O melhor é inimigo do bom.”
“Não se imprimem pegadas na areia do tempo ficando sentado.”
“Ao homem ousado a fortuna estende a mão.”
“Antes de dar presentes, pague suas dividas.”
“A vela ilumina os outros enquanto se consome.”
“Quem de muito quer saber mexerico que fazer.”
“É melhor curvar enquanto o galho é novo.”
“Não diga desta água não beberei por mais suja que seja.”
“Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia.”
“Coração tímido nunca conquistou mulher bonita.”
“Feliz de quem se contenta com o que tem.”
“Não ponha o chapéu onde a mão não alcança.”
“O descontentamento é o primeiro passo para o progresso.”
“Cachorro de dois donos morre de fome.”
“Não atravesse a ponte antes de chegar a ela.”
“Antes um bom inimigo que um mau amigo.”
“Quem nada tem nada teme perder”
“Quem o feio ama bonito lhe parece.”
“Deus ajuda os ricos; os pobres podem mendigar.”
“Numa tempestade qualquer porto serve.”
“Todos colocam peso em cavalo de boa vontade.”
“A mais longa jornada começa com o primeiro passo.”
“Discurso bonito não enche barriga de ninguém.”
“Antes que o mal cresça, corta-se a cabeça.”
“Não faça perguntas e não lhe dirão mentiras.”
“Para bom mestre não há ferramenta ruim.”
“Os tolos são sábios enquanto calados.”
“No amor e na guerra tudo vale.”
“Não roube de Pedro para pagar a Paulo.”
“Cada um deita na cama que fez.”
“É melhor ser cabeça de cachorro do que rabo de leão.”
“Atos falam mais do que palavras.”
“Os melhores peixes nadam no fundo.”
“O peixe que belisca todas as iscas logo é pego.”
“Guarda-te do homem que não fala e do cão que não ladra.”
“Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.”
“O primeiro golpe é metade da batalha.”
“Quem chega primeiro é servido primeiro.”
“Um amigo na hora da necessidade é um amigo de verdade.”
“Um amigo no poder é um amigo perdido.”
“Do sublime ao ridículo é apenas um passo.”
“Cheio de cortesia, cheio de truques.”
“Amor com amor se paga.”
“Deus ajuda aos que se ajudam.”
“Deus está sempre do lado dos mais fortes.”
“Deus dá o frio conforme a roupa.”
“O dinheiro abre todas as portas.”
“Um bom marido faz uma boa mulher.”
“Advogado pra ser bom precisa saber mentir.”
“É mais fácil perder um bom nome do que consegui-lo.”
“Quem tudo quer tudo perde.”
“Pequenas causas produzem grandes efeitos.”
“O maior ódio nasce do maior amor.”
“Quem muito fala pouco faz.”
“A meia verdade é uma grande mentira.”
“Quem anda depressa é quem mais tropeça.”
“Quem não sabe escutar não sabe falar.”
“Quem cedo dá, dá duas vezes.”
“Quem espera por sapato de defunto anda descalço a vida inteira.”
“É rico quem pouco precisa.”
“Vale ouro quem sabe ganhá-lo.”
“Quem sabe mais fala menos.”
“Junta-se aos maus e serás pior que eles.”
“Quem não sabe obedecer não sabe mandar.”
“Não há nada como um dia depois de outro.”
“Quem é temido quando presente e odiado quando ausente.”
“Quem luta e foge tem chance de viver para lutar um outro dia.”
“Quem anda descalço não deve plantar espinhos.”
“A quem tem a carteira cheia nunca faltaram amigos.”
“É fácil educar os filhos dos outros.”
“Só os ignorantes não tem dúvidas.”
“Quem ri na sexta chora no domingo.”
“Junta-se aos bons e serás um deles; junta-te aos maus e serás pior que eles.”
“Quem nasceu para vintém não chega a tostão.”
“Quem não quer quando pode, quando quiser não terá nada.”
“Quem a boca de meu filho beija a minha adoça.”
“Quem quer comer a noz tem que quebrar a casca.”
“Quem começa muitas coisas não acaba nenhuma.”
“Onça que dorme no ponto vira tapete.”
“Quem está contente na sua pobreza é maravilhosamente rico.”
“Errando que se aprende.”
“Quem cavalga um tigre tem medo de desmontar.”
“Quem quer chegar ao topo precisa começar de baixo.”

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Orixalá


Oxalá
Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam.
O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô.
A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.
Sua saudação é ÈPA BÀBÁ ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano.
Simboliza a paz é o pai maior nas nossas nações na Religião Africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo.
ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE OXALÁ
As pessoas de Oxalá são calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. Seus ideais são levados até o fim, mesmo, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos. Gostam de dominar e liderar as pessoas. São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.
OXALÁ - LENDA
Olodumaré entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Porém essa missão não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Exu, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas.
Oxalá pôs a caminho apoiado em um grande cajado, o Paxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do além, encontrou-se com Exu que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se provocando em Oxalá uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar a sua sede.
Era o vinho de palma o qual Oxalá bebeu intensamente, ficou bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu então Olófin Odùduà que vendo o grande Orixá adormecido roubou-lhe o saco da criação e em seguida foi a procura de Olodumaré, para mostrar o que teria achado e contar em que estado Oxalá se encontrava.
Olodumaré disse então que “se ele esta neste estado vá você a Odùduà, vá você criar o mundo”. Odùduà foi então em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro, era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas.
Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água, onde ciscava cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que em Ioruba se diz IlE`nfê expressão que deu origem ao nome da cidade Ilê Ifê.
Odùduà ali se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se assim rei da terra.
Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumaré, que por sua vez proibiu, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê. Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumaré insuflaria a vida.
OXALÁ
Um dia Oxalufam, que vivia com seu filho Oxaguiam, velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oyó em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal.
Mesmo assim, Oxalufam, por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho aconselhou-o então a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.
Em sua caminhada, Oxalufam encontrou Exú três vezes. Três vezes Exú solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufam. Três vezes Oxalufam ajudou Exú, carregando seus fardos imundos. E por três vezes Exú fez Oxalufam sujar-se de azeite de dendê, de carvão, de caroço de dendê.
Três vezes Oxalufam ajudou Exú. Três vezes suportou calado as armadilhas de Exú. Três vezes foi Oxalufam ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oyó. Na entrada da cidade viu um cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô.
Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao filho. Mas neste momento chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram Oxalufam com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal. Maltrataram e prenderam Oxalufam. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.
Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Xangô desesperado, procurou um babalaô que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera.
Xangô correu para a prisão. Para seu espanto, o velho prisioneiro era Oxalufam. Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufam. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei. E o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e todo o povo saudava Xangô. Depois Oxalufam voltou para casa e Oxaguiam ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai.


FESTA DO INHAME



Festa do inhame (Recife), do inhame-novo (Bahia), festas rituais dos xangôs pernambucanos (20-21-22 de outubro) e candomblés baianos (primeira sexta-feira de setembro).O inhame (Dioscoriáceas) era uma fécula comum na alimentação de todas as classes e a festa parece uma comemoração do ciclo da germinação da planta. Constitui uma homenagem a Oxalá (Obalatá, Orixalá). Manuel Querino descreve a festa do inhame-novo:"É o tributo de homenagem prestado a Oxalá, o santo principal do terreiro. É o início das festas do feiticismo. Na primeira sexta-feira do mês de setembro, a mãe-do-terreiro reúne as filhas-de-santo e se dirigem à fonte mais próxima, com o fim de captarem, muito cedo, a água precisa à lavagem do santo. Finda esta cerimônia, o santo é recolhido ao peji. Logo em seguida sacrificam um caprino, que é cozido juntamente com o inhame, não sendo permitido o azeite-de-dendê, que é substituído pelo limo da Costa. Retirada do fogo, a refeição é distribuída pelas pessoas presentes, que depois se retiram. Decorridos três sóis, começam as festas. Entre as cerimônias sobressai a seguinte: a mãe-do-terreiro, munida de pequeno cipó, bate nas costas das pessoas da seita. É a disciplina do rito e tem o efeito de perdoar as ações más, praticadas durante o ano." (Costumes Africanos no Brasil, 55).O inhame é de origem africana e era de uso comum em Portugal no séc. XV. Segundo uma tradição que Roger Batiste divulgou (Imagens do Nordeste Místico em Branco e Preto, 117-118), Oxalá, bem velho, morava com seu filho Oxum-guiam, que o queria muito. Tendo saudades do outro filho, Xangô, rei de Ioruba, Oxalá montou a cavalo para visitá-lo, desprezando os presságios do Babalaô consultado e as respostas do Opélé-Ifá. Viajando, Oxalá apeou-se para ajudar a uma velha, e o cavalo fugiu. Indo segurá-lo, Oxalá foi perseguido como criminoso, vagabundo, e atirado a uma prisão, onde sofreu fome e sede. Xangô, inquieto, consultou os augúrios, que o mandaram visitar as prisões. Nelas o rei dos nagôs encontrou seu pai Oxalá libertando-o imediatamente. Oxalá morria de sede, e o rei mandou um séquito de escravas à fonte mais próxima, com as bilhas novas, buscar água fresca para dessedentar seu pai. Oxalá voltou para a companhia de Oxum-guiam e este lhe ofereceu um banquete. A festa do inhame-novo consta dessas fases tradicionais. Oxalá deixa o peji (viagem); as filhas-de-santo trazem água fresca para matar sua sede (procissão com as quartinhas) e finalmente há o banquete com os animais sacrificados: cabras, etc. A flagelação simbólica, citado por Manuel Querino, talvez significasse os sofrimentos de Oxalá ao ser preso, espancado e deixado numa prisão. Sincretismo da Paixão de Jesus Cristo, nesta última parte? Não sei.(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)