quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ora iê iê Oxum! Dona das Águas Doces, Dourada Rainha Senhora


É D'Oxum

Nessa cidade todo mundo é d'oxum

Homem, menino, menina mulher


Toda essa gente irradia a magia


Presente na água doce, presente na água salgada e toda cidade brilha


Presente na água doce, presente na água salgada e toda cidade brilha


Seja tenente ou filho de pescador


Ou importante desembargador


Se dar presente é tudo uma coisa só


A força que mora n'agua


Não faz destinçao de cor


E toda cidade é d'oxum


A força que mora n'agua


Não faz destinçao de cor


E toda cidade é d'oxum


É d'oxum Ora iê iê ô!





16 de Junho - Dia de Oxum

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Nelson Mandela


"Nosso maior medo não é de sermos inadequados.

Nosso maior medo é o de sermos poderosos além da medida.

É nossa luz, não nossa escuridão, o que nos apavora.

Perguntamos a nós mesmos: Quem sou eu para ser brilhante, interessante, talentoso e fabuloso?Na verdade, porque você não seria? Você é um Filho de Deus.

Bancar o pequeno não serve ao mundo.

Nada nos esclarece no sentido de nos diminuirmos, para que outras pessoas não se sintam seguras em torno de nós.

Nascemos para manifestar a glória de Deus que esta dentro de nós.

Ele não está em alguns de nós, está em todos nós.

E quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos a outras pessoas permissão para fazer o mesmo.

Quando nos libertarmos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta os outros."


Nelson Mandela.

domingo, 1 de junho de 2008

O lamento do negro


O lamento do negro é triste
fere o coração de quem o ouve...
É um choro de guerra
O forte que existe em cada fraco
que acorda mais um pouco
o lamento do negro retumba nas matas
inventa quilombos, resiste
O lamento do negro persiste
Faz soar os atabaques e vir à Terra os orixás
O lamento do negro é profundamente triste
mas é a sua arma
O seu modo de manter-se vivo

Negro


O teu grito ecoou na senzala e invadiu o ouvido
surdo do teu senhor
Foi um grito forte que nasceu da dor
que nasceu crescido
E pôde ser ouvido por poder se impor
Grito de alma escrava
Grito de uma vida inteira
É grito de liberdade
É grito de capoeira
O Capoeira grita
e seu berimbau chora

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Corpo fechado


Eu tenho corpo fechado

Eu tenho corpo fechado

Por olho não morro não

Eu tenho meu protetor

Me pegar não é fácil não

Contra faca de ticum

Aprendi uma oração

Sapato com presa dentro

No meu pé não boto não

Não uso roupa dos outros

Nem empresto meu dobrão

Não como comida alheia

Roupa minha vendo não

Dia de roda não bebo

E em mulher não ponho a mão

Camará

Tudo tem seu tempo



Tudo tem seu tempo,
há um momento oportuno para cada empreendimento debaixo do céu.
Tempo de nascer, e tempo de morrer;
tempo de plantar, e tempo de colher a planta.
Tempo de matar, e tempo de sarar;
tempo de destruir, e tempo de construir.
Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de gemer,e tempo de dançar.
Tempo de atirar pedras, e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar, e tempo de se separar.
Tempo de buscar, e tempo de perder;
tempo de guardar, e tempo de jogar fora.
Tempo de rasgar, e tempo de costurar;
tempo de calar, e tempo de falar.
Tempo de amar,e tempo de odiar;
tempo de guerra,e tempo de paz.

Eclesiástes, 3, 1-8

domingo, 11 de maio de 2008

Todas as Vidas - Cora Coralina





Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo.Benze quebranto.Bota feitiço... Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo...Vive dentro de mima lavadeirado Rio Vermelho. Seu cheiro gostoso d'água e sabão. Rodilha de pano.Trouxa de roupa, pedra de anil.Sua coroa verde de São-caetano.Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola.Quitute bem feito.Panela de barro. Taipa de lenha.Cozinha antigatoda pretinha.Bem cacheada de picumã.Pedra pontuda.Cumbuco de coco. Pisando alho-sal.Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada,sem preconceitos,de casca-grossa,de chinelinha, e filharada. Vive dentro de mima mulher roceira. -Enxerto de terra,Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão.Bem parideira.Bem criadeira.Seus doze filhos, Seus vinte netos.Vive dentro de mima mulher da vida. Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada...Fingindo ser alegreseu triste fado. Todas as vidasdentro de mim:Na minha vida - a vida mera das obscuras!



Cora Coralina